Quem gosta de ler e não tem uma renda mensal suficiente para
cobrir os gastos com livros tem o hábito de criar a própria moeda. Chama-se
moeda literária e o valor dela varia de acordo com cada pessoa. Por exemplo, a
maioria dos livros que eu compro custa em média R$20,00, logo um vestido que
custa R$80,00 custa na verdade 4 livros. É claro que depois disso levo em
consideração a necessidade. Tenho uma pilha de livros para ler e nenhum vestido
para ir na formatura da minha amiga, qual é o mais útil? O vestido. Tirando
casos específicos, como o vestido da formatura da minha amiga, o livro acaba
valendo mais a pena. Comer na rua ou comprar livros? Enquanto tiver comida em
casa, sempre será livros.
Em casos exagerados (ou não), esse tipo de pessoa também tem
uma contagem diferente de tempo: 20 minutos, um capítulo. Logo um filme de duas
horas, são seis capítulos médios. Dependendo da vontade de assistir o filme,
acabo fazendo os dois ao mesmo tempo. Algumas pessoas chamam isso de doentio,
mas quando não se tem muito tempo para ler, cada segundo é precioso.
Quem convive comigo já está acostumado, principalmente
quando eu comparo o valor de uma boa balada em São Paulo com livros. Quem
trocaria 6 livros por uma noite? Para manter a vida social ativa as vezes você
tem que ceder. Assim como meus amigos já trocaram o sanduíche delicioso do
Madero por um preço pequeno do McDonalds para garantir as minhas próximas
leituras.
Não são todas as pessoas que entendem isso, na maioria, são
as que não gostam de ler. Não julgo, é claro, as vezes o valor de uma bebida
que eles tomam é o valor de um livro e eu não fico criticando por isso. Uma
coisa que eu aprendi é: Se alguém não gosta de ler, jamais verá o real valor de
um livro. Então não insista, respire fundo e continue convertendo os valores na
sua cabeça.
Um brinde à nova moeda!
