08 dezembro, 2014

Literatura erótica


Acho engraçado como as pessoas lidam com esse boom de livros erótivos que houve no Brasil depois de Cinquenta Tons de Cinza. O preconceito está por todos os lados e as pessoas que leem são colocadas em caixas separadas dos outros leitores. Sempre parti do conceito de que cada um lê o que quer e não deve ser julgado por isso. Por um lado, confesso, sempre relevei o preconceito vindo dos homens, eles não leram o livro e não entendem o universo feminino. Apenas julgam. Afinal, quem gosta de ler um livro que só descreve sexo e a menina apanha de um cara, aparentemente maluco?
Eu pensava assim, até um dia que li um trecho de “Game of Thrones” por tabela de um cara que estava lendo no ônibus. Peguei bem a parte da descrição de uma cena de sexo. Aí eu pensei: Eles entendem sim, eles são machistas! Não conheço nenhum cara que leu os livros de George R. R. Martin e disse que gostou do livro só por conta das cenas de sexo. É claro que eles podem gostar das cenas, mas ninguém leu exclusivamente por conta das descrições eróticas. Então por que as mulheres que leram livros que contém conteúdo erótico só leram por causa disso e são pervertidas ou recalcadas?
Vou falar uma coisa para todas as pessoas que pensam assim. Livros eróticos são quase tão antigos quanto minha avó. Já deve ter visto aqueles romances de banca né? Pois é, eles têm conteúdos altamente eróticos e ninguém nunca falou nada. Um amigo me falou que em “Game of Thrones” existem essas cenas pois retrata como era na “época” da história, não sei se vocês sabem disso, mas esses livros femininos de ‘putaria’ também retratam a  época, afinal, sexo também existe hoje em dia, não é?
A questão é muito simples, as pessoas leem o que gostam e o que interessam. A maioria dos livros eróticos possuem histórias por trás de todas as descrições adultas e, mesmo se não tivesse, qual o problema? Você não é obrigado a gostar ou a ler só porque alguém leu, mas é obrigado a respeitar os gostos alheios. Se todos gostassem da mesmas coisas teriam tão poucos livros nas livrarias. E outra coisa, quem são vocês para julgar se as mulheres são recalcadas e mal amadas só por consumir esse tipo de literatura?
Nós sabemos o que vocês faziam na sua puberdade e, provavelmente, fazem até hoje.
Um brinde à diversificação da literatura!

Ps: Essa escritora não possui nenhuma tendência à trilogia Cinquenta Tons de Cinza, preservando suas preferências particulares fora do texto e baseando-se em fatos e relatos de participantes de diversos Clubes do Livro.