Acho engraçado como as pessoas lidam com esse boom de livros
erótivos que houve no Brasil depois de Cinquenta Tons de Cinza. O preconceito
está por todos os lados e as pessoas que leem são colocadas em caixas separadas
dos outros leitores. Sempre parti do conceito de que cada um lê o que quer e
não deve ser julgado por isso. Por um lado, confesso, sempre relevei o
preconceito vindo dos homens, eles não leram o livro e não entendem o universo
feminino. Apenas julgam. Afinal, quem gosta de ler um livro que só descreve
sexo e a menina apanha de um cara, aparentemente maluco?
Eu pensava assim, até um dia que li um trecho de “Game of
Thrones” por tabela de um cara que estava lendo no ônibus. Peguei bem a parte
da descrição de uma cena de sexo. Aí eu pensei: Eles entendem sim, eles são
machistas! Não conheço nenhum cara que leu os livros de George R. R. Martin e
disse que gostou do livro só por conta das cenas de sexo. É claro que eles
podem gostar das cenas, mas ninguém leu exclusivamente por conta das descrições
eróticas. Então por que as mulheres que leram livros que contém conteúdo
erótico só leram por causa disso e são pervertidas ou recalcadas?
Vou falar uma coisa para todas as pessoas que pensam assim.
Livros eróticos são quase tão antigos quanto minha avó. Já deve ter visto
aqueles romances de banca né? Pois é, eles têm conteúdos altamente eróticos e
ninguém nunca falou nada. Um amigo me falou que em “Game of Thrones” existem
essas cenas pois retrata como era na “época” da história, não sei se vocês
sabem disso, mas esses livros femininos de ‘putaria’ também retratam a época, afinal, sexo também existe hoje em
dia, não é?
A questão é muito simples, as pessoas leem o que gostam e o
que interessam. A maioria dos livros eróticos possuem histórias por trás de
todas as descrições adultas e, mesmo se não tivesse, qual o problema? Você não
é obrigado a gostar ou a ler só porque alguém leu, mas é obrigado a respeitar
os gostos alheios. Se todos gostassem da mesmas coisas teriam tão poucos livros
nas livrarias. E outra coisa, quem são vocês para julgar se as mulheres são
recalcadas e mal amadas só por consumir esse tipo de literatura?
Nós sabemos o que vocês faziam na sua puberdade e,
provavelmente, fazem até hoje.
Um brinde à diversificação da literatura!
Ps: Essa escritora não possui nenhuma tendência à trilogia
Cinquenta Tons de Cinza, preservando suas preferências particulares fora do texto e baseando-se em fatos e relatos de
participantes de diversos Clubes do Livro.
