11 dezembro, 2014

Libertação

- Melissa! Melissa! - Gritavam eles do pequeno bote abaixo de mim. Estavam desesperados para me trazerem de volta. Mas eles não entendem não é mesmo? - Dizia Melissa enquanto olhava seus amiguinhos brincando ao seu lado. Um sorriso em seu rosto parece ter agitado ainda mais eles.
Aqui somos livres, felizes. De vez em quando alguém aparece para nos atrapalhar, mas não é nada demais - continuou - Todos temos um espaço livre para sermos felizes, criarmos o que quisermos. Todos temos esse direito. Mas o mais importante dos direitos é poder escolher.
Ao fundo ouvia-se seu coração batendo através de uma máquina, e um emaranhado de parafusos respirando por ela.
- Por favor, volte Melissa! - chorava uma senhora nos seus quarenta anos de idade sentada ao lado da maca.
- Receio que ela nunca mais volte. Os danos cerebrais a fizeram perder a consciência. Sua realidade agora habita somente em sua mente.
Foi ali que, nem toda luz branca perante a morte seja Deus. As vezes pode ser um médico decretando sua morte.