Sentada na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, um lugar
que todos deveriam conhecer, observei a área infantil repleta de crianças com
seus pais. A idade variava, ia desde um ano até dez, mas a reação era a mesma.
Eles estavam encantados. Fiquei algum tempo assistindo os pais lerem alguns
livros para os filhos, que olhavam vidrados para o monte de páginas que deveriam
conter gravuras hipnotizantes. Os mais grandinhos se divertiam sozinhos com os
seus livros enquanto os pais se entretiam com alguma obra sem gravuras.
Há pouco tempo, uma colega me perguntou como fazia a enteada
dela começar a gostar de ler, no momento não vinha nada a minha mente. Aos 11
anos, não sei se uma garota irá se contentar com gibis ou livros cheios de
gravuras. Recomendei alguns livros curtos e romances bobinhos que eu lia com a
idade dela. Depois de uma semana, minha colega disse que a enteada queria a
trilogia dos Jogos Vorazes. Ela ganhou, não sei se leu.
Mas como é o jeito certo de incentivar a leitura? Desde
pequeno? Esperar a criança começar a ler? Ou aguardar o momento em que ela pede
um livro? Sei que forçar e obrigar não é a solução. Mas vejo tantas maneiras
para incentivar uma criança a ler, que duvido que haja uma certa. Foi naqueles
puffs da Livraria Cultura que pensei nisso, será que aquelas crianças vão sofrer
quando o professor pedir para ler algum livro quando crescerem ou vão ficar
encantadas com a oportunidade de ler mais uma obra? Isso me fez lembrar de
quando comecei a ler.
Meus pais nunca fizeram um incentivo direto, sempre
atarefados, não sentavam do meu lado para ler histórias, mas mesmo assim, os
livros estavam lá. Eram muitos, de todos os tipos e tamanhos. Mesmo sem saber
ler, aos quatro anos eu pegava só para observar as imagens. Com um tempo
comecei a construir uma narrativa na minha cabeça e, quando aprendi a ler,
achei engraçado como eu imaginava a história completamente diferente.
Depois que aprendi a ler, aos cinco anos, era frustrada por
meus pais não terem tempo para ler para mim antes de dormir, então decidi fazer
isso sozinha. Era uma cena engraçada, pedia para a minha babá sentar do lado da
minha cama enquanto eu lia em voz alta. Ela não sabia ler, mas não sei se ela
ficava tão encantada quanto eu com a mesma história de João e Maria.
O gosto foi se aperfeiçoando, os livros foram aumentando o
número de páginas e perdendo as gravuras. E eis que surge o meu livro com mais
de 100 páginas: Harry Potter e a Pedra Filosofal. Li esse livro aos 11 anos e
depois logo emendei com a série do Diário da Princesa. Minha amiga me
emprestava todos os livros dela e aos 13 anos li meu primeiro livro que não era
infanto-juvenil: A Cidade do Sol. Depois disso não parei mais e sempre tenho
uma pilha de obra para ler, enquanto a lista de lidos aumentam gradativamente.
Independente de como começou a ler, que idade tinha e qual
foi o seu primeiro livro, o importante é que você começou. Graças à aquele
livro que despertou o gosto pela leitura, você conheceu o universo infinito de
histórias e personagens que é a literatura.
Continue lendo,
Um brinde ao primeiro livro!
