01 dezembro, 2014

Pequenos leitores



Sentada na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, um lugar que todos deveriam conhecer, observei a área infantil repleta de crianças com seus pais. A idade variava, ia desde um ano até dez, mas a reação era a mesma. Eles estavam encantados. Fiquei algum tempo assistindo os pais lerem alguns livros para os filhos, que olhavam vidrados para o monte de páginas que deveriam conter gravuras hipnotizantes. Os mais grandinhos se divertiam sozinhos com os seus livros enquanto os pais se entretiam com alguma obra sem gravuras.
Há pouco tempo, uma colega me perguntou como fazia a enteada dela começar a gostar de ler, no momento não vinha nada a minha mente. Aos 11 anos, não sei se uma garota irá se contentar com gibis ou livros cheios de gravuras. Recomendei alguns livros curtos e romances bobinhos que eu lia com a idade dela. Depois de uma semana, minha colega disse que a enteada queria a trilogia dos Jogos Vorazes. Ela ganhou, não sei se leu.
Mas como é o jeito certo de incentivar a leitura? Desde pequeno? Esperar a criança começar a ler? Ou aguardar o momento em que ela pede um livro? Sei que forçar e obrigar não é a solução. Mas vejo tantas maneiras para incentivar uma criança a ler, que duvido que haja uma certa. Foi naqueles puffs da Livraria Cultura que pensei nisso, será que aquelas crianças vão sofrer quando o professor pedir para ler algum livro quando crescerem ou vão ficar encantadas com a oportunidade de ler mais uma obra? Isso me fez lembrar de quando comecei a ler.
Meus pais nunca fizeram um incentivo direto, sempre atarefados, não sentavam do meu lado para ler histórias, mas mesmo assim, os livros estavam lá. Eram muitos, de todos os tipos e tamanhos. Mesmo sem saber ler, aos quatro anos eu pegava só para observar as imagens. Com um tempo comecei a construir uma narrativa na minha cabeça e, quando aprendi a ler, achei engraçado como eu imaginava a história completamente diferente.
Depois que aprendi a ler, aos cinco anos, era frustrada por meus pais não terem tempo para ler para mim antes de dormir, então decidi fazer isso sozinha. Era uma cena engraçada, pedia para a minha babá sentar do lado da minha cama enquanto eu lia em voz alta. Ela não sabia ler, mas não sei se ela ficava tão encantada quanto eu com a mesma história de João e Maria.
O gosto foi se aperfeiçoando, os livros foram aumentando o número de páginas e perdendo as gravuras. E eis que surge o meu livro com mais de 100 páginas: Harry Potter e a Pedra Filosofal. Li esse livro aos 11 anos e depois logo emendei com a série do Diário da Princesa. Minha amiga me emprestava todos os livros dela e aos 13 anos li meu primeiro livro que não era infanto-juvenil: A Cidade do Sol. Depois disso não parei mais e sempre tenho uma pilha de obra para ler, enquanto a lista de lidos aumentam gradativamente.
Independente de como começou a ler, que idade tinha e qual foi o seu primeiro livro, o importante é que você começou. Graças à aquele livro que despertou o gosto pela leitura, você conheceu o universo infinito de histórias e personagens que é a literatura.

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Um brinde ao primeiro livro!